A Prática Holística de Stephanie Pettersen

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A bodyboarder brasileira, Stephanie Pettersen, detentora de vários títulos mundiais, mesmo tendo estado muito perto de ficar numa cadeira de rodas, tem o recorde feminino de vitórias em Pipeline, dedica-se actualmente e bastante a sério ao treino, ao bem-estar e ao equilíbrio da mente. É treinadora e uma apaixonada pela prática holística. Esta consiste num regime de treino equilibrado, utilizando diferentes técnicas e estilos que integram um corpo, mente e alma. Para equilibrar a energia Yin e Yang nos programas de treino é uma obrigação conseguir um programa completo equilibrado. Técnica e compreensão do movimento são a primeira prioridade para Stephanie.

A prática Holística é diversificada e até divertida e, com certeza, um enorme contributo para nos tornarmos mais atléticos. O que é um atleta? É um indivíduo competente no seu peso corporal. Formação Holística é um caminho para uma vida saudável, de melhorias mais profundas, não apenas aquelas que vemos ao espelho ou nas mudanças de escala. É uma filosofia, a do Big 3 – Treino inteligente – Comer uma dieta limpa – Descansar bastante. Seguindo uma abordagem funcional holística no treino, ele ajudou Stephanie a entender como o exercício é muito mais profundo do que ela pensava.

A história de uma verdadeira Campeã e os seus altos e baixos – Stephanie Pettersen:

Stephanie Pettersen foi pela primeira vez para a Austrália em 1989 e apaixonou-se pelo país. Dez anos mais tarde, Stephanie mudou-se definitivamente do Havai para a Austrália, que era o seu país de base há quase 12 anos, durante o tempo que correu o Circuito Mundial de Bodyboard. No Havai, Stephanie melhorou as suas habilidades e aprendeu a lidar com ondas grandes de reef breaks. Fez amigos para a vida e muitos locais do North Shore de Oahu lembram-se dela também. Sempre que regressar ao Havai é como voltar para o Brasil, sente-se em casa.

Nasceu no Brasil, filha de pai norueguês e mãe brasileira, o mar era parte da vida de Stephanie desde muito tenra idade. O seu pai era um mergulhador de águas profundas que trabalhava para empresas europeias de petróleo. Foi ele que lhe mostrou o oceano.

Stephanie iniciou-se no bodyboard aos 15 anos e começou a competir meses mais tarde. Aos 17 anos, ganhou a primeira competição no Brasil. Em 1988, começou a aventura da sua vida, voando para o Havai para competir no Mundial Amador. Em 1990, ganha o primeiro título mundial na mítica onda de Banzai Pipeline. Posteriormente, vence o título mundial de Pipeline em 93 e 94.
Stephanie ficou grávida aos 23 anos e deu à luz a primeira filha, Yohanah, que ía consigo para todo o lado, inclusivé para os campeonatos.

Em 1996, Stephanie sofreu um grave acidente numa piscina de ondas no Texas, e fracturou o pescoço. Desconhecendo a gravidade da lesão na altura, devido à sua grande teimosia e recusando-se a ir a um médico, ela aguentou a dor e continuou a viajar no World Tour sem uma coleira cervical ou qualquer tipo de assistência médica. Competindo e lutando com a lesão, naquele ano, ainda conseguiu terminar em 3º lugar, apesar de saber que a teimosia de não desistir do tour para cuidar do pescoço não era a melhor ideia. Sete anos mais tarde descobriu o que aconteceu realmente. Foi-lhe dito que tinha uma fractura na C4 e por ter treinado muito no ginásio 2 semanas na Califórnia antes de ir para o Texas, os seus músculos estavam fortes o suficiente para a salvar de acabar numa cadeira de rodas.

Stephanie permaneceu no top 7 do mundo, liderando o circuito por várias vezes nos 6 anos seguintes. Em 2002, lutando com todos os problemas do pescoço, os piores que já tivera desde a lesão, conseguiu, mesmo assim, manter a posição no ranking e foi coroada Campeã do Mundo pela 4ª vez na sua carreira. E, desta vez, a correr o circuito pela Austrália.

Após treino intenso e reabilitação completa durante quase 2 anos, foi informada de que o seu pescoço nunca seria tão forte novamente e traria problemas futuramente. Stephanie foi para o Havai no início de 2003 para competir no primeiro evento do World Tour de 2003, o Pipeline Masters. Todo o empenho e treino resultou na sua vitória neste primeiro evento e também trouxe para casa o sexto título mundial no Pipeline Master (1990/1993/1994/1999/2001/2003). Até hoje nenhuma outra atleta no desporto quebrou o recorde mundial de vitórias em Pipeline de Stephanie.

Mais uma vez, Stephanie liderou o ranking de 2003 até ao fim, mas a falta de patrocínios e de reconhecimento na Austrália tornou financeiramente impossível participar do último evento do tour nesse ano e ela viu o seu quinto título mundial escapar-se-lhe das mãos. Depois de tanta falta de apoios e, cansada de tentar encontrar patrocinadores, Stephanie decidiu que era hora de parar. Era óbvio, pois se ela foi a campeã mundial de 2002, a líder do circuito de 2003, detentora de mais títulos no Pipeline Masters e não conseguia patrocinadores para viajar e competir, o que mais poderia fazer? O desporto na Austrália estava muito virado para o sexo masculino, enquanto que o feminino era completamente deixado de lado. Foi quando viver na Austrália se tornou a ponte para o fim da sua carreira. Stephanie sentiu profundamente que esta falta de patrocínios não existiria se ela tivesse nascido na Austrália. O World Tour acabava para Stephanie, mas não acabou para muitas outras atletas da sua geração, que ainda tinham apoios.

Foi então que Stephanie decidiu começar a partilhar os seus conhecimentos como atleta, dando algumas aulas e programas de bodyboard na Gold Coast, trabalhando para a HPC (High Performance Centre) em Casuarina Beach. A maioria dos clientes eram meninas japonesas que voavam do Japão apenas para ter um tempo especial com Stephanie. A maioria dos patrocinadores ao longo da sua carreira eram do Japão. Infelizmente, devido ao Japão ter uma economia débil no final dos anos 90, Stephanie lentamente perdeu a maioria dos apoios.

Em 2004, dedicou alguns anos novamente à maternidade, dando à luz a sua segunda filha, Pascallie. Após o nascimento, Stephanie ainda participou em algumas provas. Foi para o Japão e ficou em 1º lugar no nacional. Ela também fundou uma companhia feminina de bodyboard chamada Uniq Bodyboards juntamente com a bodyboarder e amiga profissional, Leila Alli. Passado algum tempo, decidiu fazer uma mudança na sua vida e abraçar uma segunda paixão, o treino.

Depois de passar alguns anos a treinar e a estudar para se preparar para esta nova aventura, em 1999, Stephanie abriu o seu primeiro negócio, um estúdio chamado ” Cyclelates ” na Gold Coast. Sem grande conhecimento de negócio, ela saltou para este novo desafio. O lado negativo era a economia mundial que passava por um mau momento. Durante um ano e meio ela fez tudo na empresa. Com o tempo, Stephanie percebeu que as coisas não estavam a correr como desejava e decidiu desistir e trabalhar casualmente em torno da Gold Coast. Houve uma pessoa que fez uma enorme diferença na sua carreira e que era o seu treinador, técnico de natação olímpica Dennis Cotterell. Essa experiência foi inesquecível para ela.

Durante esse período, Stephanie foi convidada pela IBA (International Bodyboarding Association) para competir no Pipeline Masters pela IBA. Após 7 anos de distância da competição, Stephanie embarcou para o Havai e voltou pouco tempo depois com um 3 º lugar no geral.

Actualmente, Stephanie continua a surfar todos os dias e a treinar arduamente. Aprender a tornar-se numa treinadora melhor é um processo sem fim para Stephanie. Fez diversas formações na área do fitness. Mudou-se recentemente com a filha Pascallie para Yamba em 2013, após 14 anos na Gold Coast.

Treinos diários da prática holística de Stephanie Pettersen:

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