As Ondas de Rita Pires

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Rita, agora que a 4ª e última série d’A Onda da Rita’ chega ao fim, faz-nos um balanço acerca do que foram estes últimos anos neste projecto inovador.

Foram cinco anos incríveis! Ter a possibilidade de ter um programa na televisão portuguesa permitiu que um maior número de pessoas tivessem mais contacto com as modalidades que pratico e, ao mesmo tempo, viverem comigo momentos inesquecíveis, passados em Portugal e no estrangeiro. Aquilo que começou por ser um programa de televisão acabou também por se tornar numa complexa estrutura de comunicação que chegou, inevitavelmente, à internet e às redes-sociais. Foi uma constante adaptação e também um percurso que me fez evoluir como pessoa e encarar de outra forma a minha carreira enquanto atleta.

Pensas que fez mudar alguma coisa no âmbito dos desportos de ondas?
Acho que é uma questão relativamente complexa, mas com certeza que ajudou muitos atletas a encontrarem o seu caminho no desporto. Como sabemos a visibilidade dada através das competições, nem sempre é suficiente para um patrocinador. Percebi que neste últimos anos houve uma crescente preocupação dos atletas em estarem cada vez mais acompanhados por fotógrafos ou operadores de câmera. Acho que muitos deles perceberam que para além de um trabalho ao nível da competição, é também necessário trabalhar a imagem… Mais do que ter bons resultados é preciso mostrar, simultaneamente, um pouco da sua vida, para que o público perceba o percurso necessário para alcançar o sucesso.

Recordas algum programa/série com mais carinho e por alguma razão em especial?
Esta última série, filmada em Bali, Sumatra e Abu Dhabi foi, sem dúvida, especial. Toda a série foi filmada no estrangeiro e em períodos de tempo bastante reduzidos o que obrigou a alguma disciplina na estruturação de todo o trabalho. Houve momentos de tensão entre a equipa que tiveram de ser ultrapassados, mas houve também situações bastante agradáveis e outras inesquecíveis até! Destaco pela positiva os episódio filmados em Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos), no parque aquático Wadi Adventure. Diverti-me muito por lá, e o trabalho que resultou dessas filmagens acho que ficou muito bem conseguido.
Acabámos, inclusivamente, por transformar os dois episódios d’A Onda da Rita’ sobre o Wadi Adventure, num documentário agora presente no nosso canal do Vimeo, e que está a ser um enorme sucesso (http://vimeo.com/76792297)

Em que te inspiraste para as gravações dos programas?
Quando começo a filmar uma série escolho primeiro o tema, e os locais onde queria filmar, e a inspiração surge depois à medida que vou conhecendo pessoas, ou vivendo situações. Nesta quarta série tinha por objectivo mostrar as várias realidades dos desportos de ondas. Primeiro escolhi Bali, um destino que todos os surfistas conhecem, e que tem ainda tanto por explorar. Depois, quis mostrar como o desenvolvimento tecnológico está a marcar presença também no mundo dos desportos de ondas, com a criação de várias piscinas de ondas artificiais por todo o mundo, fazendo parte da evolução destes desportos a vários níveis. Por último, viajámos no tempo, e de Sumatra mostrámos ondas perfeitas, mas também uma realidade muito diferente da que estamos a viver nos dias de hoje. Penso que, como resultado final, temos uma série com ondas bem diversificadas, culturalmente rica e que mostra a verdadeira essência de deslizar numa onda.

Tu própria és uma inspiração para qualquer praticante de desportos de ondas. Como encaras isso?
Não é algo em que pense muito. Tudo o que faço é a pensar naquilo que me faz sentir bem e naquilo que penso que é correcto, tendo em conta o meu percurso desportivo. Sei por exemplo que na actualidade posso desiludir alguns Bodyboarders quando me vêem na água a surfar com uma prancha de Surf, ou com a prancha de SUP. No entanto, sinto que na fase actual da minha vida, essas minhas opções fazem parte de uma coisa que eu chamo crescimento. Muitas vezes para evoluirmos temos que dar vários passos atrás, e sentir as coisas de uma outra perspectiva. O Surf e o SUP têm-me ajudado bastante a ter uma outra leitura de mar, a considerar desafiantes certo tipo de ondas que no Bodyboard já não me faziam subir a adrenalina. Essencialmente faço aquilo que penso que seja o correcto para mim, num determinado momento e numa determinada circunstância. Poder viver desta forma é, acima de tudo, um privilégio, e desta liberdade eu não abdico!

Faz-nos uma retrospectiva da tua carreira.
Se falarmos de carreira desportiva posso dizer que para o ano (2014), completo 20 anos. Fui campeã nacional pela primeira vez em 1994, com 16 anos e, desde então, tenho feito muitas coisas, umas relacionadas com o desporto e outras não.
Durante vários anos conciliei a competição com os estudos e cheguei mesmo a completar uma licenciatura em arquitectura. Há mais ou menos 12 anos decidi deixar de competir e dedicar-me à profissão na área em que me formei. Fi-lo durante cinco anos e uma vida monótona e pouco estimulante fez-me novamente acreditar que o desporto era a minha grande paixão. Deixei o trabalho no atelier, voltei a treinar e a competir e lancei-me no projecto d’A Onda da Rita’ a convite do canal SPORT TV. Estes últimos cinco anos, têm sido os melhores da minha vida e é com alguma confiança que digo que a minha carreira ainda não terminou. Acho que seguramente irá fechar-se um ciclo e iniciar-se outro. Sinto que neste momento estou numa fase de transição.

Andas neste momento a praticar outros desportos no mar. Queres comentar sobre o que significa cada um destes desportos para ti?
É verdade que nos últimos tempos tenho diversificado bastante o tipo de pranchas que levo para dentro de água, e isso deve-se essencialmente ao facto de viajar bastante e passar muito pouco tempo em Portugal. Quando estou em Portugal, gosto de estar o máximo tempo possível em casa, e não andar às voltas pelo país à procura de ondas. A Costa da Caparica não tem as melhores condições, mas é bastante consistente e ‘surfável’ 80% dos dias do ano. Assim sendo, tento adequar a minha prancha às condições que tenho em frente a casa. Se está bom para o SUP, vou de SUP. Se está bom para Surf vou de Surf. Existem também alguns dias em que está muito bom para o Bodyboard aqui para estes lados, mas falta-me a paciência para disputar ondas numa praia onde já surfei inúmeras vezes sem ninguém, ou apenas entre amigos. Como sei quee tenho oportunidade de fazer Bodyboard em ondas realmente boas do outro lado do mundo, dou o meu lugar a outros aqui por estas bandas.

E agora, o que se segue, depois deste projecto de sucesso d’A Onda da Rita?
A Onda da Rita, tal como o seu próprio nome indica é tudo o que eu faço, e tudo o que faz parte da minha vida. Na televisão iremos ter uma interrupção, mas continuaremos presentes na internet e redes sociais.
Quero essencialmente que as pessoas não percam o contacto com aquilo que ando a fazer, e que retirem do meu exemplo alguma coisa de útil para as suas vidas. Eu adoro o que faço e ‘A Onda da Rita’, é e será sempre, algo que absorve esse espírito.

O que esperas do futuro? Em Portugal, fora dele, ou nos dois?
Seguramente que o meu futuro irá passar por mais projectos no estrangeiro do que em Portugal. Gosto muito do meu país, mas aqui é cada vez mais difícil sonhar e onde não há sonhos, não há vida!

Um conselho para os teus seguidores.
O único conselho que posso dar é para serem pro-activos e não passivos, apaixonados e não revoltados. Todos somos abençoados e todos temos a responsabilidade de fazer com que o nosso dia de amanhã seja melhor do que o de hoje, sem esquecer que não vivemos sozinhos e que todos dependemos uns dos outros.

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