Dora Gomes, a Grande Diva do Bodyboard

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Foi a primeira bodyboarder em Portugal, foi também a principal impulsionadora deste desporto no feminino, ao ter sido a pioneira na organização de eventos exclusivamente dedicados a meninas que se queriam iniciar. Dora correu mundo, subiu a muitos pódios, coleccionou troféus, levou a competição a sério e foi a primeira atleta profissional dos desportos de ondas no nosso país, numa altura em que isso era impensável, muito menos sendo mulher. Foi campeã mundial ISA em 1998 e recorda esse título com carinho. Vive em Vila do Bispo há quinze anos, onde realizou mais um sonho: ser mãe. Agora a sua vida tomou outro rumo, mas Dora diz continuar bastante ligada à natureza, à família e ao desporto.

Para quem não te conhece, fala-nos um pouco de ti.
Amo natureza, amo muito muito ter uma família, sou simples, calma, lutadora. Adoro caminhar, correr, fazer ginásio, mas a minha outra paixão, juntamente com o Bodyboard, é a Capoeira.
Dou valor ao que as pessoas são por dentro, independentemente de estatutos, currículos, beleza, raça e posição social.

Quando começaste a praticar Bodyboard e o que te levou a começar?
A beleza e a magia da praia do e do mar.

Onde adquiriste o teu primeiro equipamento, visto tratar-se de uma época em que tudo era novidade?
Emprestaram-me uma prancha velha e deram-me um fato com uns 10 buracos, comprei só as barbatanas.

Lembras-te da tua primeira competição? Foi algo que te marcou especialmente?
Sim fazia bodyboard há 2 meses apenas, mal conseguia passar a rebentação mas conheci pessoas com o mesmo sonho que eu e isso foi fantástico.

Quando decidiste que gostarias de ser profissional e dedicar a tua vida ao Bodyboard?
Quando fiquei em 5º na etapa de França e 1º na etapa da Ilha Reunião do circuito mundial e não recebi o prize money porque era amadora.

Estiveste na liderança do circuito nacional durante vários anos, achas que de certa forma foste uma inspiração para as gerações vindouras?
Penso que sim e fico muito orgulhosa por isso.

Quem eram as tuas principais adversárias na altura, aquelas que davam mais trabalhos e as com quem gostavas mais de competir?
As minha principais adversárias eram as brasileiras e a Rita Pires, mas com quem gostava mais de competir era com pessoas que foram especiais na minha trajectória, como a Marta Teixeira, Joana Bastos, Inês Valente e Catarina Sousa.

Estiveste vários anos a competir no Circuito Mundial, isso foi algo que transformou a tua vida e ajudou a definir a tua personalidade?
Sim. Sinto-me uma sortuda pela experiências que passei e pelas pessoas que conheci, aprendi muitas coisas, diverti-me e tornei-me numa pessoa melhor.

Achas que serias a mesma se não tivesses passado por todas as experiências que viveste ao longo dos anos no tour mundial?
Não, era completamente diferente, os horizontes abriram-se e tornei-me uma pessoa mais aberta e com uma visão da vida diferente.

Existe algum momento que te tenha marcado especialmente e que recordes com alguma frequência?
O que mais me marcou foram as grandes amizades que fiz, lembro-me frequentemente e, às vezes, até sonho com pessoas maravilhosas que tive a honra de conhecer. Os lugares lindos por onde passei e, claro, ter subido ao pódio na Ilha Reunião ao lado do Mike Stwart e vencer o mundial no Guincho ao lado dos meus amigos e família.

As representações em campeonatos de selecções (eurosurf e Isa games) foram competições especiais para ti?
O espírito da selecção é sempre muito especial, deixa de ser um desporto individual e passa a ser colectivo. O espírito de inter ajuda e união atrai-me bastante e motiva-me muito.

Se pudesses voltar atrás no tempo terias mudado alguma coisa ao longo da tua carreira?
Nada!!! Teria sido tudo igual. Às vezes olho para trás e penso: foi um sonho ou vivi mesmo tudo aquilo? A minha carreira para mim foi um milagre que agradeço todos os dias.

Quais as grandes diferenças que vês no Surf/Bodyboard de hoje, em relação ao que se passava há 15 anos atrás?
O surf cresceu ainda mais e o Bodyboard infelizmente não cresceu aquilo que eu gostava.

Achas que na actualidade os atletas têm mais apoios e melhores condições para se tornarem atletas profissionais?
Não sei, mas calculo que continue a ser difícil.

Em que sentido a tua relação com o mar continua a ser importante nos dias de hoje?
O mar é e será sempre muito especial para mim. Ir fazer Bodyboard e ir à praia com os meus filhos.

Ainda te dedicas ao bodyboard ou tens outras prioridades?
Neste momento a prioridade são os meus filhos: o Martim de quase 2 anos e 10 meses e o Gui, de 2 meses e meio. Estou em casa com eles, aqui na Vila do Bispo porque o infantário é só a partir dos 3 anos. Faço a gestão da Sagres Surf Shop e ajudo o meu marido que é professor de capoeira a organizar esse projecto.

Como concilias o trabalho com as ondas/desporto/maternidade?
O desporto neste momento não é prioridade, são só coisas simples que possa fazer com eles, como caminhar, andar de bicicleta. Já conciliar o trabalho com a maternidade é complicado, mas possível.

Qual a tua maior inspiração na vida?
As pessoas boas, o meu marido, a minha mãe, o meu pai e, claro, os meus filhotes.

Um sonho que gostasses de ver realizado?
Meu Deus, nem sei!! Tenho tudo aquilo que sonhei!!! Só agradeço todos os dias por tudo o que conquistei e que tenho.

Como é ser mãe?
Ser mãe era um grande sonho que tinha e que se tornou realidade aos 40 anos com o Martim e depois, aos 42 anos, com o Gui. É maravilhoso, crescemos como pessoas, tornamo-nos mais tolerantes, voltamos a cantar, a brincar. No fundo renasce a criança que esta dentro de nós. Passamos a ver o mundo de forma diferente e a compreender melhor os nossos pais. E vamos buscar bem lá no fundo do coração um amor incondicional e gigantesco que nos torna pessoas mais babadas, realizadas e felizes.

Conheces o projecto ‘A Onda da Rita’? O que pensas acerca dele?
Conheço e acho o máximo! Fico muito feliz de ver uma rapariga e, ainda por cima bodyboarder, à frente a dar a cara. A Rita tem o perfil perfeito para esse projecto. Parabéns pelo sucesso!

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