Entrevista a Pedro “Pecas” Monteiro

A_PEKAS

No âmbito do segundo episódio da 3ª série d’A Onda da Rita, que teve como tema a Taça de Portugal de bodyboard e surf disputada em 2012, falámos esta semana com o chefe da equipa vencedora desse evento. Uma prova com muita tradição no nosso país e que teve como vencedora uma equipa unida e motivada pelo seu carismático líder, o surfista, também ele ex competidor, Pedro Monteiro, mais conhecido por “Pecas”.

Pecas, para quem não te conhece fala-nos um pouco de ti.

O meu nome é Pedro Pardal Monteiro, aka Pecas, tenho 35 anos e sou de Carcavelos. Desde pequeno que passo os Verões na Praia Grande em casa dos meus avós maternos e desde que comecei a fazer surf que passou a ser super útil ter estas duas residências. Lembro-me de já gostar de estar nas ondas com uma prancha sem sequer saber o que era surf! Tenho neste momento uma empresa Portugal Surf Academia, Lda. que se dedica ao ensino de surf com os meus amigos João Macedo e Miguel Mantero desde 2002, altura em que me juntei ao João. Desde então que a minha vida se desenrola à volta da academia, a passar os dias a surfar e a ensinar. Em 2000 entrei num curso de Eng. Civil na Universidade Lusófona, que terminei em 2005. Ainda trabalhei num projecto de um estudo de viabilidade de construção de um recife artificial para surf, em São Pedro. Em 2005 fiz parte do movimento S.O.S. Carcavelos e desde aí criei, junto do Prof. Pedro Bicudo e outros amigos, o S.O.S., Associação Nacional de Defesa e Desenvolvimento do Surf. Em paralelo, e desde 2000 que estou envolvido na Secção de Desportos Náuticos do CRC Quinta dos Lombos, sendo um dos responsáveis da mesma. Este ano fiz parte da organização do evento Moche Capítulo Perfeito, a segunda edição de um conceito que foi pensado e desenvolvido por mim e pelo meu amigo Rui Costa, aka Twiga. A nível de Surf, surfo menos do que gostava, mas tento sempre estar presente pelo menos nos dias em que o mar está bom nos melhores spots, entre Carcavelos e Peniche. Adoro os Açores e tento ir todos os anos à Indonésia, mas já não vou lá há dois anos, estão sempre coisas a acontecer que me impedem de viajar.

Como é ser o chefe de equipa do CRCQL? Há quanto tempo e porquê?

Eu sou apenas um dos responsáveis, talvez o mais responsável, por estar lá há mais tempo, mas somos essencialmente uma equipa de duas escolas (Surf Academia e Puremocean) e, como grupo, somos fortes e dedicados. Como qualquer responsável sirvo para toda a obra, e às vezes calha-me a mim a chefia, mas dividimos as tarefas. Em linhas gerais ser líder é responder e orientar várias pessoas, conduzir orçamentos, planear campeonatos e equipas e tentar transmitir o espírito de competição. Como disse antes, estou desde 2000 nesta tarefa e têm passado muitos amigos a contribuir e vamos dando o nosso litro consoante a nossa disponibilidade e necessidade. No caso da Taça de Portugal tento ficar mais ligado ao grupo e apoiar a parte do Surf, deixando o Bodyboard com o Paulinho e Zsolt, mas acabamos sempre por ser todos a puxar pela equipa. Existe um elemento que é o Nuno Pignateli que é o responsável pela Taça, toda a logística, organização, convocatória, etc… e nós aparecemos como treinadores. Este ano ele foi pai e avançámos nós com tudo e correu muito bem.

Há 5 anos que são campeões. A que atribuis esse sucesso?

O ano passado (2011) foi a AON que ganhou, nós ficámos em segundo, houve ali um ou outro vacilo que marcou a diferença e não conseguimos ganhar, o que foi bom no sentido de percebermos até onde podíamos vacilar e a partir dali desenhar uma equipa que supere a AON e os outros clubes. Este ano correu bem, eles (AON) eram muitos e fortes, cheios de garra e nós tivemos de nos superar, e isso foi determinante e motivador. O nosso sucesso é termos muitos praticantes em Carcavelos, sermos um grupo unido e com uma boa cultura de clube que chama a atenção para outros surfistas que querem fazer parte do grupo. Depois temos muitos praticantes em várias modalidades, de várias idades, o que faz de nós uma equipa muito consistente.

Como é que se conquista uma vitória?

Esta foi com muita concentração e disciplina. Tivemos desde o primeiro dia o plano bem desenhado, transmitimos essa energia e fomos respeitados por toda a equipa. A partir daí a sorte sempre conta, e ela esteve do nosso lado.

Quais as maiores dificuldades que tens encontrado?

As maiores dificuldades são conseguir passar para a equipa a vontade de ganhar, existe sempre aquele instinto de eles estarem num modo de férias e até perceberem que estão ali é para fazer o que nós mandamos. Todos os dias são difíceis, também nós temos um pouco de Peter Pans e sabemos o fixe que é estar com os amigos longe de casa. O transporte da equipa é sempre muito difícil também, daí a importância de se ficar hospedado perto do local do campeonato, mas sem a anarquia de cada um ir para a praia quando quer, claro. O dinheiro claro, não é fácil para ninguém, fazemos de tudo para ter fundo nesta competição e pertencemos a um clube que respeita muito as competições de equipas, por ter uma cultura de Bola!

Como é gerir tantas modalidades/atletas/emoções? Que estratégias utilizas para motivar a tua equipa?

Disciplina, mas qb, mostrar que também somos amigos deles, mas definir bem os momentos certos para cada coisa. Mostrar que somos mais velhos e que merecemos respeito, mas sem dúvida que o mais importante é o espírito de equipa e de entreajuda que existe no grupo para que todos se sintam importantes num todo e não como individuais apenas.

Também tens uma escola de surf. Como concilias o trabalho do Clube com o da Escola/treinador e ainda com o facto de seres surfista? Fala-nos um pouco sobre o teu dia-a-dia.

Estão inter-ligados, no fundo alguns dos nossos alunos/atletas fazem parte da equipa com outros surfistas de outros grupos de treino. Se eu não pensar assim estou preso à ideia de que podia despender mais energia no meu negócio e facturar mais para poder ter mais dinheiro e sucesso, mas não penso assim e acho que tudo faz parte de um todo e eu trabalho no Surf. Às vezes dou menos a uma coisa em detrimento de outra, o que pode ser negativo, mas as coisas são mesmo assim. O meu dia-a-dia depende sempre do que é mais importante que seja feito na área que for, e o mar também dá uma boa noção do que fazer. Como custumo dizer, o espírito é acordar todos os dias com pica para contribuir, para trabalhar, o resto vai acontecendo.

O que achaste do programa, em termos de conteúdo e imagem?

Gostei muito deste programa, estava cheio de vontade de o poder mostrar, para quem não tem Sport Tv e orgulhar-me do nosso feito. Gostei da entrada do Pedro Santos a falar ao telefone a conduzir ? mas talvez um pouco longa, depois o chefe de juízes explicou muito bem o espírito único da Taça e da importância que tem para momentos tão únicos como representar uma equipa, uma seleção, e depois claro que gostei de me ouvir falar, ver as imagens do espírito das diferentes equipas, todos unidos entre eles a aplaudir cada elemento da equipa. A tensão que se criou com a equipa AON, e a vitória final, um fecho em grande!!

Já conhecias o trabalho d’A Onda da Rita’? Como avalias a importância de projectos como este para a divulgação dos desportos de ondas, dos atletas e das competições?

Já sim, a Rita é um grande exemplo como pessoa, atleta e surfista, conseguiu definir uma vertente de apresentação e comunicação da modalidade mantendo a sua presença e isso é muito importante para o nosso desporto e para ela, pois passa uma muito boa imagem de nós! A Onda da Rita é boa porque a Rita tem Boa Onda!

Objectivos para 2013?

Trabalhar mais organizado, com mais ajuda de modo a superar os objetivos do ano anterior e ir crescendo e contribuindo de ano para ano…como diz o meu amigo e sócio Macedo, “pedrinha a pedrinha”.

Entra aqui e vê o episódio completo d’ A Onda da Rita sobre a Taça de Portugal.

FOTO (onda): João Melo

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