Patrícia Lopes em directo

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É a recordista de títulos nacionais de surf, chama-se Patrícia Lopes e pertence à primeira geração de surfistas em Portugal. Foi onze vezes campeã nacional, duas vezes vice-campeã da Europa no ISA Surfing Games, foi 3ª e 4ª no EPSA e, por duas vezes, top 16 do circuito ASP. Actualmente vive na Parede junto ao mar e surfa todos os dias, quando o mar está bom, na linha do Estoril, Sintra, Caparica e Ericeira. É professora de Educação Física do ensino secundário e é a prova viva de que quando se quer muito algo se consegue. Para além de surf, Patrícia é praticante assídua de ténis e snowboard.

Para quem não te conhece, fala-nos um pouco de ti.
Sou muito competitiva, gosto de todos os desportos e não gosto de perder, seja qual for a competição ou jogo a que me propuser. Sou determinada e batalhadora nos objectivos a que me proponho. Estou sempre a rir e gosto de me divertir e de divertir as pessoas que estão à minha volta. Gosto muito de adrenalina e actividades de risco.

Quando começaste a praticar Surf e porquê?
Comecei a surfar aos 18 anos porque vi o meu irmão a surfar e achei que ía gostar, por isso fui logo experimentar. Comecei a surfar com um fato do meu irmão e com pranchas emprestadas, quer do meu irmão, quer dos miúdos que estavam como eu a aprender a surfar na praia de S. Pedro do Estoril. O fato era da Aleeda, marca que me começou logo a apoiar e a minha primeira prancha comprei ao Alex Oliveira, uma twin fin Mark Richards.

Lembras-te da tua primeira competição? Foi algo que te marcou especialmente?
A minha 1ª competição foi em S. Pedro, uma prova do Surfing Clube de Portugal e entrei com os homens, pois na altura não havia mulheres. Marcou-me bastante porque ganhei a alguns rapazes que começaram a surfar ao mesmo tempo que eu (os que me emprestavam as pranchas) e a outros que já surfavam há mais tempo e isso foi muito gratificante. O primeiro campeonato nacional foi no guincho e foi a primeira vez que surfei contra a Teresa Abraços. Ela ganhou e lembro-me ainda hoje que fiquei chateada e disse para mim mesmo que aquilo ía ter troco. E assim foi o início da nossa rivalidade.

Quando decidiste que gostarias de ser profissional e dedicar a tua vida ao Surf?
Decidi competir a nível internacional logo após as primeiras competições, porque cá em Portugal só tinha a Teresa (Abraços) como adversária à altura e eu queria mais, não só competir mais, como melhorar o meu nível de surf.

Estiveste na liderança do circuito nacional durante vários anos, achas que de certa forma foste uma inspiração para as novas gerações?
Acho que sim, tanto que as miúdas querem bater o meu record e noto que sou uma referência do surf feminino e masculino, a nível nacional e internacional. A minha principal rival sempre foi a Teresa, quando desistiu passou a ser a Filipa Leandro, depois de desistir, passaram a ser as Joanas, a Rocha e a Andrade e, por fim, era a Francisca Santos. De quem gostava mais era da Teresa porque jogava limpo, as outras principalmente a Rocha era tramada e eu não gostava muito de competir com ela, sempre a remar em cima de mim, combinava com outras para fazer panelinha e metiam-se uma de cada lado para eu não apanhar ondas, etc. Mais tarde tudo valia para se ganhar.

Estiveste vários anos a competir no Circuito Mundial, isso foi algo que transformou a tua vida e ajudou a definir a tua personalidade?
Correr o circuito mundial não mudou a minha personalidade, apenas passei uns anos a viajar pelo mundo, a conhecer várias culturas, pessoas e línguas diferentes. Fez melhorar o meu surf, a interagir mais com outras pessoas e a desenrascar-me sozinha nas adversidades da vida. Acho que não seria tão desenrascada, comunicativa e com muito menos riqueza cultural.

Existe algum momento que te tenha marcado especialmente e que recordes com alguma frequência?
O Hawaii foi o país que mais me marcou, aquelas ondas gigantes perfeitas, água quente e sempre calor era demais. Superar-me a mim própria, as ondas grandes que lá surfei, desde Sunset gigante com 18 pés a Waimea com 20 pés. Até a última vez que lá fui que quase morri em makarra (o susto da minha vida)!

As representações em campeonatos de seleções (eurosurf e Isa games) foram competições especiais para ti?
As seleções nacionais eram competições diferentes, competíamos para a equipa e pelo país, mas era igualmente muito competitivo e intenso. Acho que não mudava nada, pois usei todos os recursos que havia na altura, fiz tudo o que podia para me divertir e visitei e surfei os melhores países do surf.

Quais as grandes diferenças que vês no Surf de hoje, em relação ao que se passava há 15 anos?
Há muitas diferenças, só pelo facto de o material em Portugal ser muito melhor (principalmente as pranchas) e finalmente há bons treinadores cá, daí o nível de surf ter evoluído muito e cada vez os miúdos têm um bom nível desde muito novos. Claro que agora há muito mais apoios e condições para os surfistas. Na minha altura era uma guerra para arranjar patrocínios e pagar a uma mulher então era impensável.

Existe na actualidade algum(a) surfista que te continue a surpreender?
Há várias surfistas que me surpreendem a nível internacional, as top 10 ASP e, cá em Portugal, a Teresa Bonvalont está no bom caminho para ter sucesso a nível internacional, pois no nacional já o tem.

Em que sentido a tua relação com o mar continua a ser importante nos dias de hoje?
A minha relação com o mar continua a ser muito importante, continuo a surfar sempre que está bom e todas as viagens que faço é em função do surf. Não consigo estar muitos dias sem ir ao mar. Sempre que o mar está bom, a minha prioridade é ir surfar, mas também vou à neve fazer snowboard uma vez por ano e jogo ténis 2 a 3 vezes por semana. Sempre conciliei o meu trabalho com o surf pois felizmente a minha profissão permite-me ter tempo para surfar quase todos os dias e, como não tenho filhos, todo o tempo livre que tenho é só para mim.

Qual a tua maior inspiração na vida?
Não tenho nenhuma inspiração e o sonho que gostava de ver realizado era passar a lua de mel nas ilhas Fidji, pois acho que é o único paraíso do surf que ainda não visitei.

Conheces o projecto ‘A Onda da Rita’ (Programa de Tv e Site)? O que pensas acerca dele?
Conheço mal porque nunca consegui ver os programas, pois não tenho sport tv e só há pouco tempo é que soube do site, por isso não tenho nenhuma opinião formada.

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