Joana Cadete em entrevista

A_JCADETE

Joana Cadete, 38 anos, bodyboarder, professora de yoga, surfista, mãe, amante da natureza e do oceano, foi vice-campeã nacional de bodyboard em 1997 e é a nossa entrevistada desta semana. Já viveu nos Açores durante alguns anos, mas está de volta ao continente e, actualmente, vive nos Coxos (Ericeira). Fica a conhecer melhor a Joana que diz fazer o que gosta desde que acorda até que se deita.

Quando e como é que começou o teu contacto com o mar?
Desde bebé, sempre adorei o mar.

Como foi a tua experiência em competição?
Nunca gostei da competição em si, pois ficava sempre nervosa, não era uma coisa natural para mim, mas gostava dos benefícios que os resultados nos campeonatos traziam: material grátis, viagens para sítios que por mim mesmo seria difícil de conseguir ir, e algum apoio financeiro.

Quem eram na altura as tuas adversárias principais?
A Dora Gomes e a Rita Pires.

Esses momentos vividos nos campeonatos foram importantes para o resto da tua vida?
Sim, muito importantes. Nunca tive um talento natural, por isso sempre fui muito esforçada, treinava muito, e percebi que “quem muito quer sempre alcança”.

Que recordações guardas desses tempos e do que sentes mais falta?
Recordações incríveis das viagens, sempre feitas com muito pouco dinheiro, mas nas quais se vivia um espírito de cumplicidade muito grande entre as amigas… basicamente, muita felicidade no meio de muita simplicidade.

Hoje em dia, como concilias o trabalho com as surfadas e ainda com a tua filha?
Para mim há 2 coisas sagradas no meu quotidiano: fazer a minha prática de yoga e surfar. Tenho o privilégio de só trabalhar de manhã e ao final do dia, o que me deixa muito tempo para surfar, e estar com a minha filhota. A minha filha também surfa, então ainda fica tudo mais fácil.

Falaste na tua filha que já é praticante de surf, que conselhos lhe costumas dar?
No mar estou sempre bastante à vontade, mas com a Laurinha nem por isso. Confesso que com ela na água às vezes assusto-me e quero dar-lhe logo as dicas todas e não a deixo estar à vontade, aprendendo com os seus próprios erros.

E como é o teu dia-a-dia, normalmente?
Trabalho de manhã cedo e depois só ao final da tarde. A seguir à aula da manhã, faço a minha prática de yoga, e depois vou surfar, ou dependendo da maré e do vento, às vezes surfo primeiro e pratico depois. À tarde sempre preparo o jantar com antecedência, passeio os meus cães e estou com a Laurinha.

Quantas vezes por semana vais à água?
Não sei, se o mar está bom, às vezes calha ir todos os dias. Como moro aqui mesmo nos Coxos, é-me cada vez mais difícil pegar no carro para surfar. Adoro ir a pé para os Coxos, ou vestir mesmo o fato em casa e entrar aqui em São Lourenço.

Em que sentido a tua relação com o mar continua a ser importante nos dias de hoje?
É a minha prioridade todos os dias! O mar pode não estar bom, mas dar “1 banhinho limpa a alma!”

De que forma pensas que as novas gerações têm as suas vidas de atletas mais facilitadas em relação à época em que te iniciaste no surf?
No sentido em que vão em grupos organizados surfar, com as escolas, e muitas vezes até em transportes privados. Em 1989 quando comecei, às vezes, tinha de apanhar 3 transportes públicos diferentes para chegar à praia. Por outro lado, hoje em dia o surf é visto como algo saudável e reconhecido positivamente pela sociedade, mas no início da década de 90 não, éramos considerados uns marginais, e eu, muitas vezes a única rapariga no meio de um grupo de rapazes surfistas era olhada de forma “bem suspeita” , mas isso nunca me dissuadiu pois adorava o que fazia, só pensava nas ondas!

Sabemos que também fazes umas ondas de surf. Como aconteceu?
Faço surf desde os 30 anos. Comecei por incentivo do meu companheiro que é surfista e adorei logo da primeira vez. Quando o mar está até 1m/1,5m faço surf ou longboard, mas acima disso, agarro-me ao Bodyboard pois é o tipo de prancha com que tenho mais familiaridade, até costumo dizer que “eu e o bodyboard (prancha) somos um só”.

Conheces o projecto ‘A Onda da Rita’? E o que achas?
Sim, conheço. Acho o projecto dela incrível, não só pela divulgação e desenvolvimento destes desportos que amo, mas porque a Rita sempre foi muito séria e profissional. Admiro-a muito!

Como vês o estado dos desportos de ondas em Portugal (Bodyboard vs. Surf)?
Vejo o surf a crescer imenso, mas o Bodyboard, infelizmente, nem por isso. Adoro os 2 desportos, quem sabe um dia, também aqui em Portugal, tal como no Brasil, as 2 modalidades não são assim tão desfasadas.

De que forma estes desportos condicionam o resto da tua vida?
Condiciona o meu dia-a-dia, pois assim que vejo o mar aqui de casa logo de manhã, organizo o meu dia de forma a que a surfada não falhe na melhor hora da maré.

Como professora de yoga, qual a importância da mesma para quem pratica surf/BB?
O Yoga fortalece, alinha e alonga todo o corpo, factores essenciais depois de toda a sobrecarga muscular que o surf e o bodyboard acarretam. Por outro lado, o Yoga desenvolve a capacidade respiratória, essencial para um surfista, sobretudo se gosta de ondas um pouco maiores, e ajuda-nos a saber lidar com a mente e as emoções em situações de desafio e/ou problemáticas.

Do que costumas abdicar para poder fazer uma surfada?
De tudo! Só não abdico das aulas que tenho que dar em determinados horários e das minhas responsabilidades de mãe.

Tens algum sonho que gostasses de ver concretizado?
Sim, ter a saúde suficiente que me permita surfar até ficar bem velhinha!

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