Nutricionista & Bodyboarder

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Bárbara Moura, bodyboarder de Carcavelos há 20 anos, tem uma Pós-Graduação em Nutrição Clínica e, hoje em dia, é nutricionista e formadora. Colaborou este ano com o site d’A Onda da Rita’ através dos seus interessantes artigos e dicas semanais. Em 1997, Bárbara foi Campeã Nacional de Esperanças e, em 1999 e 2000, foi Vice-campeã Nacional. Prestes a fazer 34 anos, para Bárbara, o bodyboard continua muito pesente no seu dia-a-dia e ela própria conta-nos como faz para conseguir conciliar a exigente vida laboral com a de desportista.

Para quem não te conhece, fala-nos um pouco de ti, Bárbara.
Sou uma apaixonada pelo mar e igualmente por desporto natureza nutrição viagens e música, adoro temas como a percepção humana e culinária. Sou irmã do professor de Bodyboard Bernardo Abreu. Faço bodyboard, fez este ano 20 anos, e sou natural de Carcavelos.

Quando e como é que começou o teu contacto com o mar?
Começou logo desde cedo, os meus avós moravam em frente à praia da Parede e desde logo que a história para adormecer era ir até à praia e falar um pouco com os pescadores. Os meus Pais adoram praia e, com frequência, íamos para o guincho ver as tempestades, bastava estar trovoada que eu adorava. O meu irmão já fazia bodyboard e um amigo, outro bodyboarder, o Duda, ofereceu-me a primeira prancha. Foi então que comprei os pés de pato à Joana Bastos e comecei assim nas férias da Páscoa de 1993 em Carcavelos.

Como foi a tua experiência em competição?
Foi uma experiência muito rica e deixou o vício de saborear um momento diferente nas mais diversas culturas.

Quem eram na altura as tuas adversárias principais?
Eram também as principais companheiras, a Catarina Sousa, a Rita Pires, a Anita Lino e a Morango. Logo de início sonhava surfar como a Marta Teixeira, a Marisa Alves e a Joana Cadete.

Esses momentos vividos nos campeonatos foram importantes para a tua vida?
Foram uma escola que deixou bem claro que com trabalho tudo se consegue na vida.

Que recordações guardas desses tempos e do que sentes mais falta?
A maior recordação é o poder estar em diferentes culturas e com os amigos num espírito único.

Hoje em dia, como concilias o trabalho com as surfadas?
O surf para mim faz parte integrante do meu equilíbrio, tal como dormir ou comer. Com frequência surfo apenas ao fim de semana ou esporadicamente numa manhã livre de trabalho, mas aprecio cada momento.

Conta-nos como é o teu dia-a-dia.
Não tenho dias iguais numa semana, com frequência estou a dar aulas das 08h até às 14h e, às 15h, entro na clínica para consultas até às 21h, ou então dedico-me a um dos projectos de nutrição com grupos terapêuticos no centro de saúde ou workshops e rastreios a empresas.

De que forma é importante a Nutrição para um atleta destes desportos?
Nós somos e funcionamos com o que comemos e pensamos, logo estas duas variáveis são muito importantes para qualquer pessoa e, principalmente, para atletas. Estes desportos exigem o trabalho de muitos músculos, devido ao equilíbrio necessário à posição na prancha, por serem praticados no frio e por longos períodos torna-se necessário estabelecer planos individualizados e adaptados à rotina de cada atleta. Depois, as viagens constantes e a exposição solar por longos períodos acrescenta particularidades às necessidades nutricionais. E com todas estas variáveis controladas existem dias em que tudo corre bem com mais frequência na performance do atleta e este passa a conhecer melhor o funcionamento do seu organismo.

Em que sentido a tua relação com o mar continua a ser importante actualmente?
É igualmente importante como era quando treinava. Mas devido à poluição, hoje em dia, estou mais preocupada com o futuro do mar e os seus efeitos para a saúde de todos nós.

De que forma pensas que as novas gerações têm as suas vidas de atletas mais facilitadas em relação à época em que te iniciaste?
Ao nível das tecnologias, como o acesso às live cams e acesso às transmissões em directo e internet com os melhores atletas do mundo, as boleias das escolas e dos pais pelo facto dos pais terem mais medo de deixar os miúdos sozinhos. Hoje temos mais estradas e transportes. Têm acesso mais fácil aos secrets mas também gozam de outras dificuldades como o crowd e também pelo facto das pessoas serem mais egoístas. Hoje contam-se pelos dedos as pessoas que ao entrar na água cumprimentam o crowd, nem com um simples sorriso… na época em que iniciei não só teria de cumprimentar, como de pedir autorização e isso dava outro gozo. Acabava por ser mais uma conquista.

Conheces todo o projecto ‘A Onda da Rita’?
Conheço muito bem e faço sempre questão de o seguir. O projecto é um sonho para qualquer praticante de desportos de ondas. A mim permite-me reviver o bichinho das viagens e ainda mais por ser com a Rita Pires que me mostrou muitas praias, tornando mais fácil reviver esses momentos.

E que importância tem?
Quanto mais contacto tivermos com este tipo de projectos mais vamos conseguir educar a sociedade a viver uma vida saudável e, simultaneamente, entusiasmante. Tornam o desporto não só mais visível, mas também mais interessante por ter a componente cultural que tanto caracteriza as viagens de surf.

Como vês o estado dos desportos de ondas em Portugal (Bodyboard vs. Surf)?
Vejo-os como estando no bom rumo. O Surf já está arrumado em termos sociais e o bodyboard estará cada vez mais. O Bodyboard está a demorar um pouco mais, mas começa a entender o que a sociedade em geral pretende e como se vende o desporto em causa para que se criem condições são necessários apoios e para isso o bodyboard terá de ser encarado como um produto publicitário tal como todos os outros desportos.

De que forma o Bodyboard condiciona a tua vida?
Ensinou-me a arrumar os minutos do dia a dia como tijolos, a gozar cada segundo. Recheou-me a vida com amigos e momentos inigualáveis.

Do que costumas abdicar para poder surfar?
Principalmente dormir ou mesmo ler ou ficar mais bronzeada, é que no verão não aguento estar na areia com boas ondas à minha frente.

Tens algum sonho a concretizar?
Sim sou movida por sonhos e, por isso, são também objectivos a atingir, tenho que cheguem. O próximo será ser mãe e ter mais tempo livre para me dedicar ao projecto da BEYOULOGIC e, surfar, claro. Obrigada e Emoções Nutritivas!

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