O Stand Up Paddle é a sua paixão

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Professora de Educação Física, ex jogadora de basquetebol, Isa Sebastião é uma apaixonada pelo desporto e, actualmente, uma adepta de actividades ao ar livre. Tem 40 anos, vive em Lisboa e, para além do Stand Up Paddle (SUP), também pratica regularmente kitesurf e corrida para se manter em forma. 2013 foi o ano em que teve melhores resultados: 1º Lugar de Race no Nelo Ocean Racing e 1º Lugar no Moledo SUP Festival Race. Tem também uma escola de SUP e uma revista online. Vale a pena conhecer mais uma das grandes referências do desporto feminino em Portugal.

Isa, para quem não te conhece, fala-nos um pouco de ti.
Sou professora de Educação Física e toda a minha vida estive ligada ao desporto, gosto de fazer praticamente todo o tipo de actividade física. Fui jogadora de alta competição de basquetebol durante 17 anos e, a determinada altura, a paixão pelos desportos de exploração da natureza falou mais alto e aos 26 anos decidi que era o momento ideal para terminar a minha carreira de Basquetebolista e iniciar uma nova etapa. Fiz durante algum tempo montanhismo, BTT, canoagem e windsurf. Quando experimentei o kitesurf apaixonei-me não só pela modalidade mas também pelas pessoas e o ambiente que gira em torno do kite e passei a dedicar-me muito mais a esta modalidade. O SUP apareceu por intermédio de pessoas ligadas ao kite e foi amor à primeira vista. Desde 2009 o SUP entrou na minha vida definitivamente, não apenas como actividade de lazer mas também profissionalmente com projectos, como a escola Sup Addicition e a revista SUP Lovers.

Quando e como é que começou o teu contacto com o mar?
Sempre gostei o mar, mas foi no último ano de faculdade, por intermédio do meu orientador de estágio professor Ricardo Costa (antigo campeão de windsurf), que desenvolvemos na escola Quinta do Marquês em Oeiras, actividades náuticas (canoagem e windsurf). Acabado o estágio e impulsionada pelo Paulo Figueiredo, fui colaborando num projecto de campos de férias em Ferreira do Zêzere onde era monitora de canoagem.

Como começou tudo com o SUP e porquê o SUP?
Em 2008 vi pela primeira vez SUP na Internet e, de imediato, achei que estava ali a actividade do futuro. Depois de algumas tentativas de imitar o que vi com uma prancha de windsurf e uma pagaia cortada ao meio, tive pela primeira vez em 2009 a oportunidade de subir para uma prancha de SUP emprestada pelo Jorge Balau e Arlindo Neves na praia da Nova Vaga. Esta primeira experiência, confesso, não foi a melhor. Estava muita “mareta” e mar partido, e não consegui aguentar-me em pé na prancha mais de 2 segundos. No segundo dia de SUP fomos para a lagoa e aí tive a confirmação que esta modalidade vinha para ficar.

Tens uma revista online, como surgiu e porquê?
A SUP Lovers surge naturalmente para ocupar um espaço vazio de divulgação do SUP Português. Todos os países europeus têm publicações do género, estava na altura de avançarmos. É um projecto meu e do Paulo Simão que tem a cargo toda a parte gráfica, pela qual passa grande parte do sucesso da revista.

Qual o objectivo desta revista?
O objectivo da SUP Lovers é basicamente divulgar o que se passa em Portugal relativo ao SUP, quer ao nível de praticantes, de locais para fazer SUP e eventos.

E a tua escola, como funciona?
A SUP Addiction começou em 2010, estamos sediados na praia de Sto. Amaro de Oeiras no restaurante SAISA. Damos aulas de iniciação ou nível avançado, sempre direccionados para a melhoria da condição física ou treino para Race. Fazemos também formações técnicas.

Costumas competir? Que tal é a experiência?
A competição em Portugal ainda está num nível muito embrionário e é necessário mais gente a participar, em ondas e, principalmente, em race. Em 2010 organizei a Oeiras SUP Race na pista de actividades náuticas do Jamor, prova que se repetiu em 2011 e 2012 e, como era organizadora, não pude competir. Só faço competição de RACE, e a primeira foi em 2011 no Nelo Summer Chalenge onde me juntei aos SurfSkis, eramos dois participantes de SUP (eu e o Fernando Labad) e mais de 100 em SurfSkis. Desde esta data tenho entrado em todas as provas que se realizam de race em Portugal e este ano fui a Bilbao a uma etapa do World Series.

Quem são as tuas adversárias principais?
Neste momento e, porque existem ainda muito poucas portuguesas a competir, são as espanholas que me dão mais trabalho. Mas temos algumas raparigas a competir cada vez melhor, como é o caso da Catarina Barroca que teve uma evolução muito grande, da jovem promessa Cláudia Figueiredo (internacional do remo) que a meu ver poderá vir a ser uma SUPer atleta, e a Rita Pires que quando tiver uma prancha de Race a sério vai com certeza ser uma boa adversária.

Para ti, qual foi o resultado mais importante até agora?
Foi a minha participação no Bilbao World SUP Challenge na classe Pro (prova do circuito mundial), apesar de ter chegado em 7º lugar (ultimo das mulheres) ainda consegui ficar à frente de alguns homens. E remar com Connor Baxter e Anabelle Anderson foi qualquer coisa de inesquecível para não falar de 3 dias de aprendizagem constante, posso dizer que existe o antes e o depois de Bilbao ao nível técnico e de estratégia de competição.

E da parte dos rapazes, sentes algum apoio?
Sim, todo o apoio possível e treino normalmente com rapazes. Quando entro em competição vou para medir forças de igual para igual, e é esse respeito que pretendo.

Para ti, qual foi o resultado mais importante até agora?
Foi a minha participação no Bilbao World SUP Challenge na classe Pro (prova do circuito mundial), apesar de ter chegado em 7º lugar (último das mulheres) ainda consegui ficar à frente de alguns homens. E remar com Connor Baxter e Anabelle Anderson foi qualquer coisa de inesquecível para não falar de 3 dias de aprendizagem constante, posso mesmo dizer que existe o antes e o depois de Bilbao ao nível técnico e de estratégia de competição.

Momento inesquecível que o SUP te tenha proporcionado e que queiras partilhar?
Este ano fui a Veneza para uma “SUP Parade” da RRD em que mais de 100 sups percorrem o “Grand Canal”. No dia antes a organizadora convidou-me para andar com ela de SUP ao final da tarde pelos pequenos canais de Veneza e esse foi, sem dúvida, um momento precioso e raro ligado ao SUP.

Hoje em dia, como concilias o trabalho com as surfadas?
Nem sempre é fácil, por vezes a única opção é levantar bem cedinho para ir 1 horinha à Costa e voltar a tempo das aulas na escola.

Conta-nos como é geralmente o teu dia-a-dia.
Neste momento estou a exercer funções na coordenação local do Desporto Escolar pelo que passo algum tempo em escritório. Sendo que divido o tempo entre estar nas instalações da DGESTE em Alvalade, acompanhar encontros desportivos no DE em várias escolas de Lisboa, e dar treinos ao final do dia à minha equipa de Basquetebol da Escola Gil Vicente. Nos intervalos destas obrigações tenho de arranjar tempo para correr ou ir ao ginásio, remar e apanhar umas ondinhas e, claro, se tivermos vento, um “kitezinho.”

Em que sentido é que a tua relação com o mar é importante para a tua vida?
É fundamental mas não sei explicar muito bem, sempre tive o mar perto de mim e isso é parte integrante da minha vida. Quase como respirar…

Os patrocínios que tens são suficientes para atingir os teus objectivos?
A parte competitiva da SUP não é o meu objectivo primordial, faço-o mais por puro divertimento e também para divulgar e tentar que principalmente mais mulheres venham a participar em competições, digamos que sou um dinossauro. Assim sendo penso que as ajudas que tenho do João Saraiva (RRD Portugal) e do Miguel Pedro (AEE Magicam Ibéria) são as possíveis para poder continuar a tentar divulgar cada vez mais o SUP.

Do que costumas abdicar para poder fazer uma SUPada?
De tempo de descanso.

Como vês o estado destes desportos em Portugal (Bodyboard, Surf, SUP)?
Acho que Portugal ainda não se apercebeu do potencial que estes desportos têm para a economia do país. Temos condições de mar únicas na Europa e quando despertarmos para o potencial turístico e desportivo que estas modalidades podem oferecer vamos ser imparáveis, mas para isso as autarquias e governo têm que ajudar na criação de condições. A nível competitivo temos cada vez mais e melhores praticantes, pena que a comunicação social não faça o seu papel, principalmente os media que supostamente são serviço público, e não haja mais visibilidade. Sem tempo de antena é difícil arranjar sponsors. Apesar de alguns canais privados especializados como é o caso da Sport Tv e Fuel darem cada vez mais horas a estas modalidades é fundamental que canais abertos e jornais nacionais noticiem o que por cá se passa.

E vantagens de praticar SUP?
Atrevo-me a dizer que o SUP só tem vantagens, é uma boa actividade para treinar condição física e capacidade aeróbia, melhora a postura e equilíbrio, excelente para trabalho propriocetivo, desenvolve força muscular ao nível de membros superiores, inferiores, abdominais e tronco. E, claro, aumenta substancialmente os níveis de boa disposição!!

Conselhos para quem queira iniciar-se?
Procura uma escola para ter pelo menos uma ou duas aulas.

Qual a tua maior inspiração na vida?
Essa é difícil… a boa disposição, pensamento positivo, coerência e integridade são conceitos onde me tento inspirar.

Conheces o projecto ‘A Onda da Rita’? E o que pensas acerca dele?
Claro que conheço, e acho que é espectacular e de uma importância extrema não só para divulgar os desportos de ondas, mas também para dar um grande incremento ao deporto feminino. A Rita é uma referência nacional e internacional dos desportos de ondas e, graças a ela, muitas raparigas atrevem-se a entrar num mundo muitas vezes associado aos rapazes.

Um sonho que gostasse de ver realizado?
Não posso revelar porque depois vai dar azar… mas, poder dar umas valentes surfadas com os meus amigos no nosso quintal são pequenos sonhos que vou realizando regularmente.

Foto: Arquivo pessoal.

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